sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Leia a opinião dos integrantes da missão: pontos positivos, negativos e o que pode ser adotado nas incubadoras de Minas















Angélica Salles – Incubadora Habitat da Biominas 
Algo bastante positivo é que todas as instituições visitadas tem o foco no mercado, eles trabalham para as empresas a questão do mercado, abrem o mercado. E outra questão muito importante é a disponibilidade de recursos do governo. A gente só escuta falar em milhões e milhões. Não que no Brasil não tenha, mas é uma questão de proporção. Achei a missão muito interessante porque não foi focada apenas em incubadoras, não conhecemos apenas incubadoras e o assunto não foi apenas incubadoras. A gente pode ver como eles fazem a comercialização, transferência de tecnologia e inovação, que faz parte do nosso dia a dia e do nosso trabalho. Por isso que acredito que a missão foi muito, muito rica. Eu tive a oportunidade de falar isso muitas vezes para o Bernardo Annoni e para a Andréa Almeida. Com relação à organização, eu não tenho absolutamente nada a queixar. 

O trabalho da intérprete Victoria nos ajudou demais, a questão do deslocamento, que foi fundamental, e a escolha das instituições. Eu gostei muito da visita que a gente fez em Austin, da ferramenta que ele nos mostrou de avaliação de tecnologias. No caso da entidade gestora da Habitat, nós temos uma metodologia para avaliação de tecnologias no nosso setor de life science. Temos clientes importantes, grandes farmacêuticas que nos contratam para fazer isso, para fazer a prospecção dessas tecnologias e avaliá-las, tanto que a minha pergunta para ele foi se eles faziam a valoração e ele disse que sim, mas no final das contas ele não mostrou nada disso. Então eu não sei se eles fazem a valoração, porque é uma coisa muito difícil e é a competência que a gente vem buscando na Biominas. Porque realmente é uma competência. 

Dificuldades que eles também têm, enfim, mas os pontos que eu achei mais positivos e de destaque são o foco no mercado e na comercialização, além dos fundos. Eu acho que o número de casos de empresas investidas no Brasil é pequeno e aqui a gente não vê isso. Eles mostram que já investiram em duzentas empresas. Então eu não sei é critério, se é porque aqui tem bons projetos e lá não tem. E eu acho que ainda é um exercício que eu vou ter que fazer. E acho que nós somos um grupo privilegiado, foi uma grande oportunidade.

Daisy Melo – Incubadora Insoft e Diretora da Rede Mineira de Inovação 
Desde o início da missão temos conversado muito, a discussão foi muito ampla sobre o que foi visto, o que a gente pode levar dessa experiência, a discussão foi muito ampla sobre esta experiência. E ficou nítido o foco que eles têm no mercado. Eu acho que nós entramos em um momento agora, azeitando esta parte de gestão, os processos, quer dizer, muitas incubadoras já têm, mas algumas ainda não. E eu acho que esse ciclo a gente vai fechar com o trabalho que a Rede está fazendo com os parceiros, e passado isso a gente vê claramente que a nossa preocupação deve ser de ajudar as empresas na comercialização de seus produtos e serviços, estar junto com as empresas nesse mercado, ter a visão do desenvolvimento local, preocupar com o desenvolvimento local, mas ter a visão global do negócio dentro das nossas incubadoras. 

Sobre a missão, de uma maneira geral, da organização, a gente teve muito pouco tempo para poder organizar. Bernardo ficou o tempo todo esperando uma agenda, entrando em contato com as pessoas, envolveu o Sebrae e a Rita nos auxiliando pela RMI. De uma maneira geral, pelo pouco tempo que a gente teve, foi muito bom. Fomos muito bem recebidos em todos os locais. E eu penso que é um marco da Rede Mineira de Inovação (RMI) junto com os parceiros. E acho que esse tipo de proposta deve continuar, para quem vai dar continuidade, e eu falo diretamente para quem tem interesse de continuar. E de uma maneira geral muito bom. 

A Angélica falou de um ponto importante, que a missão não focou só as incubadoras, foi também sobre transferência de tecnologia, de inovação e de tudo que a gente pode levar não só para as nossas incubadoras, mas também para as nossas entidades gestoras. Queria salientar também o papel da Secretaria, representado pelo Bernardo, por várias vezes ele foi elogiado pelo inglês, pela postura. Agradecer a Andréa porque acho que a participação dela foi fundamental. Sem ela não estaríamos aqui. Definitivamente acho que fomos muito bem representados, fomos bem recebidos e tudo em razão de um contato anterior.

Professor Luiz Carlos Tonelli – Incubadora Critt da Universidade Federal de Juiz de Fora 
Os problemas enfrentados lá no Brasil também são comuns aqui, sendo que uma das incubadora visitadas também tem dificuldade de recursos. E esse é o ponto positivo: algumas dificuldades que nós temos lá a gente também viu aqui, apesar de estarem sediadas em um país de primeiro mundo, onde a tecnologia está disponível. A gente vê que aquela incubadora que nós visitamos tem dificuldades financeiras, quer dizer, algo que é muito comum para a gente no Brasil. 

Eu achei positivo em termos de comparação, acho que a gente teve a oportunidade de aprender muito boas práticas para levarmos para as nossas incubadoras. Alguma coisa a gente tem que ver com relação à captação, prospecção de empresas. Acho que esse é um ponto fraco para nós e que a gente tem que analisar como fazer essa captação e prospecção. Não sei se todos integrantes da missão tem a mesma opinião, mas pelo menos é o nosso caso. Em relação à missão como um todo, achei excelente, muito bem organizada, superou as minhas expectativas, já que a gente tem participado de alguns eventos que às vezes não tem a mesma eficiência. Muito bom também pela forma que nós pudemos transitar. Apenas um dos locais visitados não foi muito organizado, mas os demais sim, muito bem organizados, principalmente aqui em Houston e em Austin também.

Paulo Nepomuceno – Universidade Federal de Juiz de Fora 
Em primeiro lugar, eu faço um elogio aos organizadores da missão. Eu tive uma experiência prévia em uma missão com o mesmo tema, mas essa missão foi muito mais proveitosa, muito mais objetiva e o aprendizado foi muito maior. A organização está de parabéns porque o trabalho foi excelente. Eu acho que esta missão foi muito boa porque inicialmente a gente viu uma experiência de 50 anos do Research Triangle Park. Então a gente pode perceber como uma política de inovação faz a diferença no desenvolvimento de um local. É uma experiência antiga, internacionalmente reconhecida de sucesso e a gente pode ver in loco quanta riqueza foi gerada nesse projeto do Research Triangle Park e isso nos inspira bastante em continuar nessa caminhada. 

Depois nós viemos para o Texas, uma experiência mais recente de política de inovação. Como nos foi dito no escritório do governo, o Texas tem semelhanças com o estado de Minas Gerais. Nós tínhamos aqui inicialmente uma política e as fontes de recursos vindas do agrobusiness e do petróleo, quer dizer, Minas Gerais tem um pouquinho do leite e do agrobusiness. E que eles sabendo que para que pudessem crescer e serem competitivos, eles tinham que investir em tecnologia e estabelecer uma política de desenvolvimento muito agressiva onde eles criaram realmente uma rede com as universidades, as incubadoras, o governo, a iniciativa privada, permitindo que o desenvolvimento fosse muito eficiente, refletindo no crescimento da economia do estado do Texas. E isso serviu muito de exemplo para todos nós. Eu acho que nós temos que fortalecer essas redes, fortalecer a política no estado, nós temos muitas universidades, muita competência e uma rede já estabelecida. Esse exemplo do Texas nos inspira bastante para continuar nessa linha e cada vez mais sermos arrojados e buscarmos novas alternativas para que a gente realmente conquiste um lugar de destaque não só no Brasil, mas no mundo todo. 

E eu não posso deixar de citar o sucesso desta missão, que está ligado ao compromisso de todos que aqui estiveram. Não teve ninguém que deixou de estar presente numa palestra, foram todos muito dedicados e com o compromisso realmente do aprendizado. E eu tenho experiências anteriores, isso pode parecer um absurdo, mas isso é muito comum, as pessoas darem uma fugidinha para darem um passeio, o que não ocorreu aqui. Então eu gostaria de parabenizar o grupo pelo excelente trabalho e eu tenho certeza que nós representamos o estado de Minas Gerais de forma bastante correta e profissional. Muito obrigado a todos.

Ana Cristina de Alvarenga – Incubadora Origem de Itabira 
O que me deixou surpresa foi a questão dos investimentos, tanto pelo estado do Texas quanto pelos fundos de investimentos das organizações, a rede de anjos. Eles não deixam de dar uma segunda oportunidade para pessoas que erraram em uma primeira vez e que, pelo time, pelas pessoas, pelo negócio, que tenham uma segunda oportunidade de uma ideia nova, uma oportunidade de mercado identificada. Esse apoio pela capacidade das pessoas é muito interessante e a gente não percebe isso no Brasil. Principalmente no que se refere aos fundos de investimentos no Brasil. Se você errou não tem condição mesmo deles apoiarem novamente. É extremamente novo para mim, eu não sabia que isso acontecia. 

O aporte de recursos deles é grande e eles têm muitos recursos, muita coisa boa a gente já sabia, mas não sabia desta segunda oportunidade, o que eu acho ser extremamente positivo. É uma maneira nova que nós temos que olhar. Concordo com tudo o que foi dito pelos outros integrantes da missão. Foi uma oportunidade ímpar presenciar isso tudo que a gente teve aqui, compartilhar esses momentos e tenho que agradecer os parceiros e a companhia de todos, porque eu não aprendi só aqui não, eu aprendi com cada um dos participantes da missão. Obrigada e eu acho que o balanço geral é extremamente positivo.

Ana Maria Serrão – Incubadora Inova da UFMG 
Gostaria de endossar tudo o que foi dito em relação à equipe. Eu sei que para promover uma missão como essa existe um esforço muito grande de todos os envolvidos e também por parte de quem nos recebeu aqui, afinal, fomos tratados como se fôssemos embaixadores mesmo. Fomos recebidos por pessoas de muita importância, tudo foi muito bem organizado. O Bernardo Annoni soube transmitir muita segurança e conduziu as apresentações com muita inteligência e muita sabedoria, o que fez toda a diferença. 

Cada participante fez a sua contribuição e estamos em um momento que a questão da autosustentabilidade é a ‘pedrinha no sapato’ de todos nós e a gente sabe que agora nós também temos que ser empreendedores. Há pouco tempo uma aluna da Geografia da UFMG disse: “mas a incubadora não é empreendedora”, o que nos dá a luz de que temos que ser empreendedores, temos que ser autosustentáveis sim. Então toda a visão que a gente teve das políticas públicas mostra que temos que fazer a nossa parte, que temos que induzir isso no nosso meio, mas que não depende da incubadora sozinha. É lógico que a gente vai batalhar por isso, mas em conjunto vai ser mais fácil. Foi a minha primeira viagem aos Estados Unidos e pela universidade isso seria impossível nos próximos cinqüenta anos. Conhecer outras incubadoras foi fundamental.

Dani Xavier – Prointec de Santa Rita do Sapucaí - 
Eu queria agradecer primeiro ao Sebrae e à Secretaria por esta oportunidade que nos deram, agradecer à Rita e à Daisy pelo esforço na organização desta missão, que foi muito bem preparada, e dizer que assim como todos, estou muito impressionada com tudo o que nós vimos aqui e endosso tudo que já foi dito, especialmente os comentários da Ana Cristina sobre a segunda chance dada aqui. 

E uma coisa que eu observei e achei extremamente interessante foi a participação dos voluntários que são pessoas de um nível altíssimo e que estão prontas para colaborar na seleção e condução dos projetos que se apresentam nas incubadoras. Achei isso fantástico. E outra coisa que observei é que existem pessoas de mais idade envolvidas no processo do que pessoas tão jovens quanto estamos acostumados a ver no Brasil e isso me chamou bastante a atenção.

Geanete Dias Moraes Batista – Incit de Itajubá - 
Endosso todos os comentários e acho que o mais importante foi a união do grupo. Nós não aprendemos só com o que a gente viu aqui, mas com o próprio grupo. Sempre uma pessoa comentava o que está fazendo em sua incubadora e trocamos muitas informações. E eu queria agradecer à organização. É a terceira missão da qual eu participo e eu posso dizer que foi a melhor delas. Eu queria agradecer ao Sebrae, ao Bernardo Annoni e à Daisy Mello e Rita Carvalho. 

Em Itajubá existe uma cobrança muito grande em relação à auto-sustentabilidade da incubadora e a busca por esta autosustentabilidade hoje é a maior cobrança em relação à nossa incubadora. Eu achei que aqui veria algo mais relacionado, mas percebi que eles têm a mesma dificuldade nossa. É uma cultura muito diferente da nossa porque investidor aqui não é problema e investidor no Brasil é, porque temos a cultura de procurar investidos. Em Austin, quando disseram que a incubadora era autosustentável eu vi que não eram. 

Mas valeu essa experiência, a missão foi muito rica e quero agradecer porque foi uma oportunidade ímpar esta que nós tivemos. Esse grupo teve uma oportunidade que eu acho que vocês jamais terão e que coloca Minas Gerais à frente dos demais, privilegiando as instituições do estado. E eu gostaria de acrescentar que não houve nenhum centavo de contrapartida das incubadoras. Qual é o estado que faz isso? Nós temos que agradecer muito ao Sebrae e à Secretaria. Muito obrigada!

Rita Carvalho – Insoft - 
Agradeço a oportunidade. Fiquei impressionada com tudo o que a gente viu aqui na viagem, com os contatos que foram feitos. Acho que isso foi um destaque. Nós não fomos recebidos por qualquer um, muito pelo contrário, eram presidentes das instituições e isso mostrou não só o poder do contato da Secretaria na questão da organização da agenda, como também mostrou o interesse deles pelo Brasil e por Minas Gerais, nos mostrando possibilidades de celebrar parcerias. 

Acho inclusive que Minas Gerais mostrou a força que  tem e eu tenho certeza que eles ficaram impressionados com esse desenvolvimento. Me impressionou muito a qualidade dos contatos. E concordo com tudo que todos falaram. Esse diferencial que a gente foca na questão do ensino da gestão, porque eles são todos técnicos e que todos os nossos incubados são da área técnica e que às vezes não tem tanto uma visão de business, de gestão. A gente foca isso muito lá no Brasil, mas aqui eles focam muito mais no mercado, na comercialização e na busca do capital, coisa que eu acho que a gente não foca tanto e que é necessário.
Comentário da Ana Cristina - Na nossa cultura, você tem que ter um produto ou um serviço para conseguir o recurso e aqui não. Aqui eles já começam a vender desde a ideia.
Comentário da Angélica Salles - As universidades têm esse papel. E como a gente teve mais oportunidade de conversar com universidades do que com incubadoras, a gente vê dentro das instituições de ensino escritórios focados em transferência, comercialização e em buscar recursos.
(Ana Cristina) E é a incubadora com as universidades, independente se a incubadora é da universidade ou não.
(Rita) A gente precisa ter um produto pronto para vender. Eles já começam a procurar antes, quando ainda é uma ideia. Eles comercializam desde a ideia.
(Ana Cristina) O recurso dos fundos está disponível inclusive para as ideias e, no nosso caso, não.

Rogério Abranches – Incubadora do Inatel e Presidente da RMI - 
Tenho que agradecer muito ao Sebrae e à Secretaria. Sou privilegiado por participar deste grupo, fiquei extremamente honrado de estar aqui. Tudo o que a gente viu aqui foi muito bom profissionalmente nessa viagem aos Estados Unidos e tenho certeza que será muito proveitoso para nós. Temos a união do nosso grupo em Minas. Sempre que trabalhamos juntos nós conseguimos romper muitas barreiras. E eu percebo que nós temos conseguido manter uma união muito boa. Fica aqui um desafio para todos nós, manter esse espírito de unidade e essa coletividade. E isso é muito importante. 

No último seminário da Anprotec uma outra rede procurou a Rede Mineira de Inovação e contou sobre conflitos pontuais que eles estavam enfrentando. E eles perguntaram como a gente faz para resolver isso lá em Minas e eu entendo que é porque eles vêem na nossa rede essa união. É aquela velha frase “Todos nós somos melhores juntos do que cada um de nós”. Sobre a sustentabilidade eu queria fazer uma provocação. Sempre tenho falado que existe uma diferença entre sustentabilidade e autosustentabilidade. Esta última é a receita que a incubadora vai gerar a partir dela mesma e que vai conseguir custear todos os custos da incubadora. 

Com a sustentabilidade ela obtém uma boa receita daquilo que ela consegue gerar, mas tem também os stakeholders, os parceiros colocando recursos, o que eu acho que para nós é o mais adequado. Porque no momento em que um parceiro coloca um recurso em uma incubadora boa, que está dando resultados, as metas dos parceiros também são cumpridas. E achei muito interessante o que nós vimos ontem na Universidade Rice porque existe todo um trabalho de empreendedorismo em torno da incubadora. Toda vez que eu realizo um treinamento a primeira pergunta que eu faço para os participantes é: uma incubadora existe para quê? Uns dizem que é para gerar empregos, para gerar patentes, melhorar a economia. E eu falo que tudo isso é maravilhoso, mas é secundário. 

Uma incubadora de empresas existe para graduar empresas de sucesso e ponto final. Os efeitos positivos a partir dessa graduação são vários e o que eu acho que uma incubadora precisa cada vez mais de demanda qualificada. Não dá para fazer milagre. Você pode colocar um projeto ‘capenga’ e ‘despejar’ U$1 milhão em cima dele e não tem jeito. E percebo que cada vez mais as empresas precisam de uma coisa, precisam de mercado. E o foco delas aqui nos Estados Unidos é acesso a mercado, local e internacional.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Apresentação do Research Triangle Park - Parte 3

Apresentação sobre o Research Triangle Park (RTP), na Carolina do Norte (EUA), feita pelo presidente da instituição, Rick Weddle, aos gestores das incubadoras de empresas de base tecnológica de Minas Gerais, no dia 23 de agosto de 2010, na sede do RTP (Parte 3)

Apresentação do Research Triangle Park - Parte 2

Assista a apresentação sobre o Research Triangle Park (RTP), na Carolina do Norte (EUA), feita pelo presidente da instituição, Rick Weddle, aos gestores das incubadoras mineiras de base tecnológica, no dia 23 de agosto de 2010, na sede do RTP (Parte 2).

Vídeo sobre o Research Triangle Park, na Carolina do Norte. Assista aqui a 1ª parte

Assista a apresentação sobre o Research Triangle Park (RTP), na Carolina do Norte (EUA), feita pelo presidente da instituição, Rick Weddle, aos gestores das incubadoras mineiras de base tecnológica, no dia 23 de agosto de 2010, na sede do RTP (Parte1).

Diretor do Grupo de Comercialização Global apresenta estratégias do Instituto IC² a gestores de incubadoras de Minas

Sid Burback, Diretor do Grupo de Comercialização Global (texto da apresentação na íntegra) - Bem-vindos ao Texas e a Austin, a melhor cidade dos Estados Unidos. O Instituto IC² foi criado para ser um corpo de conhecimento tecnológico. É baseado em duas vertentes do pensamento, de conhecimento, e da prática onde esse conhecimento é colocado em prática. A Incubadora Tecnológica de Houston, o GCG e o IC² estão juntos, em como comercializamos e para a criação de riquezas, como tudo isso é implementado. 

Vou falar a respeito da universidade e do Instituto, e das coisas que somos capazes de fazer tanto na teoria quanto na prática. Para começar, uma visão geral da universidade do Texas. Fundada em 1883, é uma das maiores universidades dos Estados Unidos, sediada em um campus urbano. O slogan da universidade é "O que começa aqui muda o mundo". A universidade é uma das cinco maiores dos EUA em termos de pesquisa, e essa informação nos foi dada ontem.

A universidade não só tem excelência em pesquisa, mas também tenta comercializar as tecnologias desenvolvidas na universidade. Ao longo do tempo, foram criadas mais de 37 empresas que comercializam a tecnologia gerada na universidade. Transformamos a tecnologia em produtos comerciais e criamos mais empresas que qualquer instituição de ensino no Texas. O significado de IC² é I=Inovação, C=Criatividade e C=Capital. Criado em 1977, o Instituto não foca somente na pesquisa, mas também em comercializar o conhecimento gerado. Temos ´braços´ em seis países e cooperação em 19 países diferentes. Pensamos no instituto como um ecossistema de criação de riquezas a partir do conhecimento.

Os componentes do IC² são o GCG, que é o programa de desenvolvimento e gerenciamento internacional, o Austin Technology Incubator, escritório de pesquisa de negócios e o programa de mestrado em tecnologia e comercialização. Os programas no mundo geraram mais de cem acordos de cooperação de tecnologia fora dos Estados Unidos no período de três anos. O tema central é justamente conectar a inovação a mercados globais.


Existem cinco pontos: o desenvolvimento de C&T local para gerar um programa de resultados a curto prazo. Há muito esforço colocado no desenvolvimento de capital humano e de negócios. Não é uma questão de consultoria, mas de transferir know-how de como fazer a comercialização. Temos foco no mercado e desde cedo o IC² expõe a tecnologia à realidade de mercado. Então essa transferência de know-how mais esse foco no mercado é que vão gerar esses resultados já em um estágio inicial.

Os programas são gerados para criar negócios reais em um período de doze meses. Essas são quatro das principais ferramentas que utilizamos: gerenciamento internacional de incubadoras, uma ferramenta que utilizaramos, por exemplo, no Chile. O gerenciamento do escritório de transferência de tecnologia, que utilizamos para ajudar as universidades a desenvolverem melhor suas pesquisas e o treinamento empresarial e o desenvolvimento de negócios internacionais, um grupo de pessoas trabalhando para levar esse conhecimento e tecnologia gerada aqui para o mercado internacional. Isso permite que tenhamos muito sucesso para gerar a criação de riquezas nos locais onde estamos trabalhando.

Tópicos relacionados ao gerenciamento internacional de incubadoras: Treinamento avançado, desenvolvimento de uma cultura global de negócios, desenvolvimento de uma rede de capital global, serviços ao cliente em setores específicos, a construção de networking, a avaliação das oportunidades de mercado estrangeiro, atração de investimento estrangeiro direto, desenvolvimento de estratégias de negócios globais, alianças e parcerias estratégicas globais, táticas para entrar em mercados internacionais, interação entre os diversos países e diversas culturas nesses negócios globais e estratégias de licenciamento globais.

O Quicklook é o sistema de avaliação de tecnologias. A metodologia foi criada pelo IC² e pela Nasa para avaliar as tecnologias geradas pela Nasa. O que os diferencia é que o IC² é focado na avaliação da inserção da tecnologia no mercado. A grande vantagem é que você tem uma ideia específica de mercado em relação à nanotecnologia. É gerado então um relatório que vai dizer se essa tecnologia está pronta para o mercado, a qual mercado ela é mais apropriada e em como você pode entrar nesse mercado com mais eficiência. Temos utilizado essa metodologia para avaliar milhares de tecnologias nos últimos anos. O Quicklook é uma das competências principais do IC² e é parte desse sistema de transferência de know-how para os parceiros internacionais.

Paulo Garcia - É possível utilizar essa tecnologia para estabelecer prioridades em termos de linhas de pesquisa? Em quais áreas investir recursos? O que priorizar na minha instituição?

Primeiro definimos dentro de um grande número de tecnologias, avaliamos um grande número de tecnologias. Dentro disso fazemos então um ranking de possibilidades de investimento, de como investir. É importante para os gerentes das incubadoras para avaliar as novas empresas entrando na incubadora.

O Quicklook é focado na tecnologia porque faz perguntas sobre a tecnologia. Poderiam usar metodologias semelhantes para detectar quais as falhas e quais os nichos de mercado ainda não foram explorados. É a avaliação das tecnologias reais.

Angélica Salles (Biominas) – A metodologia inclui a valoração da tecnologia?

Não nesse estágio. A valoração é feita em um outro passo e temos uma outra forma de valorar, depende do tipo de tecnologia. Pensamos nisso como uma caixa de ferramenta. Existem várias ferramentas para cada tecnologia. Na verdade, há vários caminhos a serem seguidos dependendo do que está sendo feito e de como comercializá-lo. E o Quicklook vai dar essa noção de qual caminho seguir (nos estudos de caso, em momento posterior, serão apresentados)

Visão geral dos tópicos abordados, focado na comercialização da tecnologia produzida na universidade e um dos tópicos é a valoração. Modelos de transferência de tecnologia, criação e gerenciamento. Primeiro passo para o patenteamento nos EUA. Busca, prospecção de tecnologia. Desenvolvimento de estratégias de propriedade intelectual, fazendo essa ponte entre os financiadores e o pesquisador, em operações eficientes. Como encontrar maneiras criativas de disponibilizar esses recursos. Inteligência efetiva de marketing e competitividade, promover tecnologias e o escritório de transferência de tecnologia, licenciamento, valoração, estratégias de negociação bem sucedidas. Linhas bastante gerais que podem ser customizadas para cada necessidade específica.

O programa do mestrado é focado na geração de riqueza a partir da tecnologia. Tem um ano de duração, de Maio a Abril e tem três focos: avaliação de tecnologia, plano de risco e plano de financiamento desses novos negócios. Pode ser um mestrado conjunto, feito aqui e fora, existe também a possibilidade também de criar mais parcerias, como a Universidade Federal de Juiz de Fora. Um módulo pode também ser no México e outro na Holanda. Existe a possibilidade de criação em Minas Gerais.

Kevin Schroeder - Estamos organizando uma visita do Professor Evaldo e do Professor Cheng.
Paulo Garcia - Existe um movimento para a criação de uma pós-graduação em Minas Gerais e uma parceria seria bom para todos nós.

Treinamentos empresariais – existem seis módulos: Processo global de comercialização de C&T no módulo I. No módulo II, planejamento de risco de desenvolvimento e negócios, apresentações e financiamentos de novos riscos globais, marketing da inovação tecnológicas, estratégias de tecnologias competitivas.

O diagrama é um modelo de como os programas acontecem. Começamos com tecnologias locais e empresas existentes. O objetivo é a criação de empresas locais, que utilizam tecnologias locais e também a melhoria dos negócios existentes e negócios internacionais. O caminho que percorremos para chegar a esse resultado é: nos estágios iniciais utilizamos a metodologia do Quicklook para avaliar e selecionar as tecnologias. 

E a partir do relatório feito pelo Quicklook traçamos então as estratégias de comercialização, qual mercado, como entrar no mercado. O último passo é conectar essas tecnologias selecionadas com a possibilidade de comercialização. É a ponte entre a tecnologia desenvolvida e o mercado. Há diversas habilidades, capacidades para apoiar esse modelo. Educação empreendedora, redes de negócios e expertise global, redes de capital, parceiros corporativos, recursos de universidades e pesquisa e desenvolvimento.

Esses são alguns parceiros do programa e eles trazem o seu conhecimento para as necessidades específicas do programa. Essas são algumas das instituições de ponta no país hoje e a parceria com o Instituto permite que tenhamos um programa realmente poderoso para avaliar tecnologias de qualquer setor.

Alguns programas que estão acontecendo no Instituto: primeiro é um projeto chamado TecBar, Technology Business Accelerator, ou Acelerador de Negóciois Tecnológicos. É uma parceria entre a Universidade do Texas e o Governo  do México. O objetivo do TecBar é ajudar as empresas mexicanas a se estabelecerem no mercado americano. Está em operação desde 2005 com mais de 50 empresas e ajudou os seus clientes a criarem mais de U$30 milhões em receita.

O Programa de Crescimento de Inovação da Índia, meu favorito, foi iniciado em 2006, e opera dentro da economia da Índia e do mercado internacional. Revisamos mais de mil tecnologias em um período de três anos e o programa já gerou mais de U$50 milhões de receita para as empresas clientes. O programa é patrocinado pela LocHeat Martin Corporation e também pelo Departamento Indiano de C&T. Ele foi recentemente estendido em mais dois anos. O programa inclui treinamento de inovação, treinamento de gerenciamento de incubadoras e o desenvolvimento de negócios internacionais.

Como resultado do sucesso desse programa, o Governo da Índia já lançou mais dois programas em parceria com o IC². Trabalhamos com o Ministério de Defesa para comercializar tecnologias militares para o mercado civil. Estão começando um programa espacial para a Índia para comercializar essas tecnologias espaciais, para ajudá-los a vender essas tecnologias. Um programa similar ao indiano acontece na Coréia do Sul, na província Gyeonggi. O progama já acontece há dois anos e está prestes a ser estendido por mais três anos. O cliente deles é o Governador de Gyeonggi. Esse é um programa de gerenciamento de incubadoras também patrocinado pela LocHeat e pela Corfeaut. O primeiro projeto no qual trabalhei foi na Polônia, em 2003, também patrocinado pela LocHeat. Nós também criamos incubadoras dentro do programa, que ainda funcionam, e instalamos o programa em uma universidade na Polônia. E isso conclui a apresentação que preparei para vocês. Muito obrigado!

Sobre o IC² - Como uma unidade de pesquisa interdisciplinar da Universidade do Texas em Austin, o Instituto IC² avançou na teoria e prática empresarial de criação de riqueza. As teorias e hipóteses desenvolvidas na IC² são testadas em escala por meio de vários programas mundialmente reconhecidos: o Austin Technology Incubator, uma das incubadoras mais importantes no mundo de negócios, o Bureau of Business Research, que fornece aos líderes do Texas dados de pesquisas para reforçar a economia do estado, e o Grupo de Comercialização Global, para catalisar as economias emergentes do conhecimento em todo o mundo. 

O apoio a estes programas é realizado por uma equipe pró-ativa, os alunos de uma faculdade premiada, pela Incubadora Tecnológica de Austin (ATI), assim como uma rede de cerca de 160 bolsistas ativos que estendem o alcance do talento do Instituto em casa e no exterior. O trabalho dos professores da Universidade do Texas em Austin, cuja pesquisa é complementada pelo IC² Institute, apóia diretamente a criação de novos conhecimentos.

Assista o vídeo institucional sobre o IC² no endereço http://www.ic2.utexas.edu/video/ic2.mov

Para entrar em contato com Sid Burback envie uma mensagem para sid@ic2.utexas.edu
Endereço do IC²: 2815 San Gabriel, Austin, TX 78705
Telefone: +1 512-475-8900
E-mail geral: info@ic2.utexas.ed



terça-feira, 31 de agosto de 2010

Entrevista: Professor Paulo Augusto Nepomuceno Garcia – Professor e secretário de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Blog Incubadoras de Minas – Gostaria que o senhor fizesse um balanço sobre esses primeiros dias da missão aqui nos Estados Unidos.

Paulo Garcia – Esses primeiros dias foram muito bons porque nós visitamos experiências muito bem sucedidas, incubadoras de grande sucesso. Nós também visitamos incubadoras que estão inseridas dentro de ambientes altamente produtivos e com grande sucesso, mas que também tem dificuldades de sustentabilidade, como é muito comum no Brasil. Está sendo muito importante observar as diversas experiências para que a gente possa produzir um modelo que seja compatível com a nossa realidade, com os anseios da sociedade, principalmente da sociedade mineira.

Blog Incubadoras de Minas – O que as incubadoras brasileiras precisam desenvolver, que práticas elas devem adotar para crescerem cada vez mais, de repente baseado em algum modelo americano desses que têm sido vistos aqui?

Paulo Garcia – O que eu realmente acho que a gente precisa desenvolver é um maior relacionamento com as estruturas de mercado, as estruturas de financiamento, quer dizer, a gente precisa estar muito próximo do mercado e é muito importante também a gente focar no empreendedor, em políticas de desenvolvimento para o empreendedor. É o que a gente tem observado aqui. As políticas de desenvolvimento sempre têm foco no empreendedor e isso é uma característica que a gente precisa estar sempre alimentando no país. Entender esse processo de como se dá o empreendedorismo, a questão do desenvolvimento de novos negócios, novas tecnologias e ficar sempre observando o empreendedor e incentivando esse processo de desenvolvimento.

Blog Incubadoras de Minas – E em relação ao capital de risco, qual foi a principal diferença detectada em relação ao que acontece no Brasil e o que ocorre nos Estados Unidos?

Paulo Garcia – É sempre muito difícil de identificar realmente onde está o capital de risco, onde estão os investidores de risco, quer dizer, isso nunca é colocado de forma muito clara. O que a gente sente é que existe capital semente em alguns locais e que existem também alguns estados que tem uma política muito mais agressiva, como por exemplo, a gente viu hoje no estado do Texas, em que existe um fundo para desenvolvimento de empresas com novas tecnologias, tecnologias emergentes. Mas ainda assim é muito difícil da gente identificar o comportamento, identificar as fontes de venture capital nos Estados Unidos. Não é muito fácil a gente identificar, mas a gente continua procurando entender o processo, como é feito esse investimento. E isso é um pouco guardado a sete chaves, vamos dizer assim.

Blog Incubadoras de Minas – Em sua opinião, quais são as perspectivas para as incubadoras mineiras nos próximos anos? O que pode e o que deve ser mudado?

Paulo Garcia – A gente observa que os investimentos em política de inovação são investimentos que trazem resultados. A gente pode observar algumas diferenças e consegue enxergar de forma clara que os melhores resultados são observados a partir de iniciativas em que a inovação é o centro da questão. Então, nesse sentido, eu vejo que as incubadoras, tanto aqui nos EUA quanto no Brasil, são de fundamental importância dentro dessas políticas que estão sendo desenvolvidas, são habitats que detém um know-how do desenvolvimento de empresas de base tecnológica. Então eu acredito que cada vez mais as incubadoras vão ser mais importantes nesse processo de desenvolvimento das regiões, do estado de Minas Gerais principalmente.

Entrevista: Carlos Lara - coordenador do Programa Américas do Houston Technology Center

Blog Incubadoras de Minas - Como funciona o programa Americas do Houston Technology Center (HTC)?

Carlos Lara - Nós entendemos que existem tecnologias e empresas em todo o mundo. É nosso dever reunir o que há de melhor em todos os lugares. Então nós estivemos nos últimos anos construindo uma estrutura onde podemos dar suporte às empresas para que elas atinjam certos mercados relacionados a energia, saúde, ciências da vida, nanotecnologia e tecnologias relacionadas à Nasa. Então o que nós percebemos é que existem mentes, projetos e tecnologias em outros lugares como o México e em toda a América Latina que podem se beneficiar por meio de todo esse trabalho que temos feito, como o acesso que temos ao mercado, aos investidores e aos projetos.

Blog Incubadoras de Minas – Fazendo parcerias ou apenas trazendo as empresas para o Texas?

Carlos Lara – O que nós definitivamente queremos são as parcerias. Nós temos empresas que estão baseadas aqui nesse prédio em Houston e que fazem a grande maioria dos investimentos no México e na Costa Rica. Nós temos companhias do México, por exemplo, que tem investido aqui. Nós não queremos apenas trazer empresas para cá, mas beneficiando os dois lados. Nós temos levado também empresas para a América Latina para ajudá-las a buscar oportunidades, patrocinando-as. Essa é uma das prioridades que temos buscado.

Blog Incubadoras de Minas – O programa já criou parcerias com empresas e instituições brasileiras?

Carlos Lara – Esse é o nosso primeiro encontro com empresas e instituições brasileiras. Nós queremos expandir as relações no Brasil. Por causa da geografia, começamos a nossa atuação no México, mas a visita da missão será um catalisador para esta oportunidade, para criarmos parcerias.

Sobre o programa - O programa Americas oferece às empresas de fora dos Estados Unidos o acesso ao Programa de Aceleração do Houston Technology Center (HTC), incluindo orientação empresarial, educação empreendedora e a vasta comunidade HTC, líderes empresariais, prestadores de serviços e investidores.
As empresas estrangeiras também têm acesso ao escritório nas instalações do HTC. Além disso, o HTC Américas cria oportunidades para as empresas trabalharem em cooperação com as novas tecnologias, empresas e investidores do México e da América Latina.

Desenvolvido em cooperação com entidades de desenvolvimento econômico, bem como do governo e de tecnologia, o HTC-Américas ajuda as empresas de ambos os lados a melhorar e expandir seus negócios e rede de contatos, concentrando-se em cinco setores-chave: energia, tecnologia da informação, ciências da vida, nanotecnologia e a tecnologia aeroespacial da NASA.

Mais informações sobre o programa: htc-americas@houstontech.org


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Incubadoras mineiras buscam internacionalização

Oportunidades de co-incubação, intercâmbio de incubadoras e internacionalização das empresas mineiras. Estes foram alguns dos temas tratados nas reuniões que os gestores de incubadoras de empresas de base tecnológica de Minas Gerais participaram hoje (27), no Houston Technology Center (HTC) e na Rice University, no estado do Texas.

Quais são os caminhos seguidos pelas incubadoras dos EUA até o mercado, como é o ensino e quais são as estratégias adotadas para estreitar as relações entre as empresas e os investidores, especialmente com o capital de risco e angel, além de várias outras ações para estimular o empreendedorismo?

A universidade Rice, por exemplo, realiza a maior competição de planos de negócios do mundo, com prêmio superior a U$ 1 milhão aos vencedores. A diretora da Rice Alliance, Mary Lynn, solicitou que as incubadoras mineiras possam ser o contato com as universidades em Minas para estimular a participação de projetos brasileiros, já que cada equipe deve ter, pelo menos, um aluno de graduação. A próxima edição será realizada entre os dias 14 e 16 de abril. Segundo Lynn, podem participar empresas de todo o mundo, sediadas em qualquer país e não apenas nos Estados Unidos. "Não é apenas uma competição acadêmica. Empresas de diversos países vem conhecer as tecnologias que disputam o prêmio. São tecnologias reais que mostram que nossos alunos estão realmente engajados em começar um negócio. Já tivemos a participação de 190 times e 97 deles ainda são empresas que estão no mercado", afirmou.

Incubadoras mineiras participam de encontro no gabinete do governador do Texas


A delegação mineira composta por 11 incubadoras de empresas de base tecnológica e representantes do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Rede Mineira de Inovação (RMI) participaram, nesta quarta-feira (25), de um encontro com o gerente de negócios internacionais do Texas, Amir Mirabi, e com o diretor regional do Texas Emerging Technology Fund, Jonathan Taylor, que apresentou o fundo criado em 2005 que destina recursos para a geração de empresas. 


Segundo ele, hoje o Texas é o estado que mais investe em capital de risco no país. “Não é um dinheiro livre, o estado passa a ser dono da empresa, e às vezes o estado se torna até o sócio majoritário. O capital é muito arriscado”, frisou. Desde o lançamento do fundo, ainda de acordo com Taylor, 1.800 empresas já procuraram o estado em busca de financiamento no valor de U$4 milhões. “É um investimento grande e o Texas não ganha com isso. Cerca de 60% das empresas vão falhar, mas se 5% obtiver sucesso, já valerá a pena”, disse. Nas 176 empresas investidas pelo Fundo, segundo ele, apenas uma foi à falência. “Numa das empresas que deu certo. Nós investimos U$3 milhões e essa mesma empresa foi vendida por U$100 milhões".
Caça – Segundo Taylor, a lei autoriza que a instituição gaste cerca de U$4 milhões para trazer um pesquisador para o Texas, sua equipe e adquirir qualquer equipamento que ele necessite. “Temos U$160 milhões para fazer isso e estamos fazendo. Buscamos os cérebros em todos os países do mundo e faremos isso com o Brasil. A China anunciou em maio que também está em busca de pesquisadores de outros países e que gastará U$ 4 bilhões para fazer isso. É uma competição global”, disse.
“Queremos trazer as melhores idéias e mentes do mundo e ´embrulhá-las` em empresas. E quando a empresa tem sucesso, esse recurso volta para a população”. Ele defende que há mais doutores em Houston do que no Canadá inteiro. “O futuro desse país é o Texas. Já estamos comprando nas universidades de Stanford e Barkeley, na Califórnia ”, gabou-se. Ele disse que nenhuma das empresas brasileiras se candidatou ao fundo, apenas da Austrália, México e Israel. “E as empresas brasileiras, nós ou a China, alguém vai querer roubar”, ironizou.
O investidor de risco, na opinião de Jonathan, quer receber três a quatro vezes o valor investido, mas o Texas, garantiu, só quer receber o recurso investido de volta. “Imagine um programa que crie empregos, cure doenças e que não custe dinheiro. Esse é o nosso programa”. E fez um alerta: “universidades brasileiras, guardem seus pesquisadores porque o estado do Texas está à caça”. E finalizou convidando os participantes da missão a levarem suas empresas para o Texas, confirmando que está aberta a temporada de caça.

Incubadoras e parques tecnológicos dos Estados Unidos recebem delegação mineira





Gestores de onze incubadoras de empresas de base tecnológica de Minas Gerais e representantes da Rede Mineira de Inovação (RMI) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), instituições organizadoras da iniciativa, participam nesta semana de uma missão aos estados da Carolina do Norte e Texas, nos Estados Unidos. O objetivo é permitir que os gestores das incubadoras mineiras conheçam os processos internos e os fatores de sucesso dos centros de apoio técnico e gerencial às micro e pequenas empresas nascentes nos Estados Unidos e saber como as incubadoras norte-americanas contribuem para o ambiente de inovação. Haverá também oportunidade para discutir possibilidades de cooperação, incluindo intercâmbio de empresas incubadas e benchmarking.

Nessa segunda-feira (23), as incubadoras participaram de reunião com o presidente do Research Triangle Park (RTP), Rick Weddle. O RTP é o maior e mais antigo parque tecnológico em operação contínua nos Estados Unidos e abriga 170 empresas, desde multinacionais como a IBM a spin-outs e start-ups. Localizado nos municípios de Raleigh, Durham e Cary, na Carolina do Norte, ocentro de inovação possui uma das maiores concentrações de trabalhadores de alta tecnologia no país, com mais de 52 mil funcionários. As incubadoras mineiras também participaram de reuniões com dirigentes de incubadoras como a First Flight Venture Center.

Segundo o presidente da RMI, Rogério Abranches, algumas das incubadoras que fazem parte da missão "estão até um nível acima em tecnologia de incubação, o que mostra que estamos no caminho certo. As incubadoras de empresas de base tecnológica são muito eficazes e Minas Gerais é referencia no Brasil. Por seis anos consecutivos, seis diferentes incubadoras mineiras conquistaram o prêmio de melhor incubadora do Brasil, mas nesse momento temos que dar um salto de qualidade. O Cerne, novo modelo de gestão que está sendo adotado nas incubadoras em Minas, tem exatamente esta proposta, acelerar a graduação de empresas, mas mantendo a mesma qualidade”, disse, referindo-se ao processo atual das incubadoras mineiras, que se preparam para tornar-se um Centro de Referência para Apoio de Novos Empreendimentos (Cerne).

O Cerne é um modelo criado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) que irá promover melhorias significativas na prospecção, preparação e aceleração dos negócios incubados, além de capacitar as empresas incubadas para um efetivo acesso aos seus mercados, prepará-las para a captação de recursos e torná-las ainda mais atrativas sob o ponto de vista do capital empreendedor e de risco. O modelo pretende também garantir a autossustentação das incubadoras, por meio do êxito de mercado das empresas abrigadas. A previsão é que a certificação seja feita em 2012.

"Uma das incubadoras que visitamos hoje aqui nos Estados Unidos é praticamente autossustentável, não recebe mais recursos de governos e consegue se manter. No Brasil, nós temos que pensar muito nisso". Segundo Abranches, "existem incubadoras autossustentáveis e sustentáveis, e a sustentabilidade é o mais adequado para o nosso caso em Minas, já que os resultados sociais e econômicos das incubadoras mineiras são tão amplos que, por atender os nossos parceiros, interessa a eles continuar nos apoiando e a nós, incubadoras, continuar recebendo", disse.

"E é também interessante o movimento de parques, especialmente em razão do parque tecnológico que visitamos não estar associado a apenas uma universidade, mas a três instituições de ensino superior. É um conceito comunitário muito interessante, são três municípios coordenando o parque tecnológico com uma clara visão coletiva de desenvolvimento", disse.

Expectativas - Segundo o professor Paulo Augusto Nepomuceno Garcia, secretário de Desenvolvimento Tecnológico do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT) e Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Federal de Juiz de Fora (IBT), a missão é uma ótima oportunidade de visitar instituições reconhecidas internacionalmente, que já tenham know-how no desenvolvimento de empresas de base tecnológica.

"O Brasil hoje passa por um período de crescimento e de interesse por parte de muitos empresários de vários setores e países”, disse. Para Nepomuceno, conhecer os processos de proteção do conhecimento nas instituições será muito útil porque a incubadora de empresas sediada em Juiz de Fora tem atualmente um processo de patenteamento internacional aberto. “Temos aqui empreendedores com capacidade muito grande e essa missão poderá permitir que iniciemos cooperação com instituições dos Estados Unidos para trabalharmos no desenvolvimento de tecnologias futuras em áreas bastante diversificadas”, garantiu. A IBT/CRITT foi fundada há 15 anos, já graduou 23 empresas de base tecnológica e conta atualmente com sete empresas residentes com padrão de qualidade certificado pela norma ISO e um quadro de 50 colaboradores.

Segundo a gestora da Incubadora de Empresas de Design (IED) da Universidade do Estado de Minas Gerais, Samantha Cidaley de Oliveira Moreira, “a intenção é conhecer coisas novas, saber como é o relacionamento das incubadoras dos Estados Unidos com o mercado e internamente, os benefícios, treinamento e consultorias, ouvir o que eles estão propondo e o que têm para oferecer”.

Participam da missão as incubadoras de empresas Habitat (Fundação Biominas), Incit (Itajubá), Origem (Itabira), Incubadora Municipal de Empresas de Santa Rita do Sapucaí (Prointec/IME), Incubadora de Empresas de Base Tecnológica Centev da Universidade Federal de Viçosa (Centev/UFV), Inova da UFMG, Insoft-BH, Inatel, IED/UEMG, CRITT e IBT-CRITT da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).